Trash and Nonsense

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18 Junho 2009

Nonsense

Injeção de silicone leva dois a hospital em Recife

Plantão | Publicada em 17/06/2009 às 16h46m

Letícia Lins, O Globo

RECIFE - Uma mulher de 32 anos e um adolescente de 17 permanecem internados no Hospital da Restauração, em Recife, depois de terem injetado silicone líquido e óleo mineral nos corpos para tornear os braços. Eles estão sem previsão de alta, depois de terem passado por cirurgias de emergência para reduzir a compressão do sistema vascular. Ambos poderiam ter os membros amputados, mas a equipe médica do HR - a maior emergência de Recife - conseguiu evitar essa solução mais drástica. Agora os dois, que pretendiam ter supermúsculos, terão que se contentar com tecido muscular de menos. Os cirurgiões tiraram parte da massa muscular, alegando que estava em processo de necrose. A mulher disse que a prática que ela usou é comum entre os colegas de profissão e alunos. Ela é personal trainer e trabalha eventualmente em festas noturnas como segurança. Segundo o médico Jaime Amorim, do HR, os dois poderiam ter morrido.

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27 Maio 2009

O culto a estética


'Cirurgia de lipoaspiração?' Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?Uma coisa é saúde outra é obsessão.O mundo pirou, enlouqueceu. Hoje, Deus é a auto imagem.Religião, é dieta. Fé, só na estética.Ritual é malhação.Amor é cafona, sinceridade é careta,pudor é ridículo, sentimento é bobagem.Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção.Roubar pode, envelhecer, não. Estria é caso de polícia.Celulite é falta de educação. Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz,não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem.Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa.Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria,o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.Não importa o outro, o coletivo. Jovens não têm mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas,quero ficar legal, quero caminhar, correr, viver muito, ter uma aparência legal mas...Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas,de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural.Não é, não pode ser. Que as pessoas discutam o assunto.Que alguém acorde. Que o mundo mude.Que eu me acalme. Que o amor sobreviva.'Cuide bem do seu amor, seja ele quem for'.
Herbert Vianna (Cantor e Compositor)

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20 Maio 2009

O Palhaço

O Palhaço

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18 Maio 2009

O DRAMA DA PETROBRÁS



Waldo Luís Viana*


Pouca gente sabe, mas já fui empregado da Petrobrás. Não terceirizado, mas por concurso. E pedi demissão, dez meses depois, sendo entrevistado por quatro psicólogas que, naturalmente, me olhavam atônitas. Saí, porque queria completar o curso de Economia na Gama Filho, chegava em casa à meia-noite, atravessando toda a cidade, do bairro de Piedade ao Leme, jantava, dormia de madrugada e acordava às seis e trinta da manhã para estar às oito no Edifício-sede.

Em minha época, 1976, não havia auxílio-refeição, vale-transporte, nem nada. Era só o salário-seco, mais auxílio-periculosidade (para subir e descer de elevador) e cartão de ponto. Ah, como detesto cartão de ponto, mas agradeço a Deus, porque foi o pavor dele que me fez poeta: “sou um homem que vive nos interlúdios concedidos pelo relógio de ponto...” – dizia, nos versos trôpegos da mocidade...

Queria ser escritor – imagina?, no Brasil de Paulo Coelho e José Sarney – e as psicólogas me perguntavam, sofridas, o motivo de eu querer ir embora. Sem muita paciência – já tinha pavio curto naquela época – redargui: “quero ver o sol nascer...”. Elas não entenderam nada, tadinhas, mas eu chegava em casa tarde, saía cedo e não via o sol subir no horizonte. Coisa de poeta.

Fui colocado no serviço de pessoal e era tão bom datilógrafo que me puseram para compulsar documentos sigilosos sobre a empresa. Impressionou-me a quantidade de internações psiquiátricas entre os petroleiros, mas isso não podia comentar com ninguém. Internavam-me em sala sem janela e fui dos únicos datilógrafos a utilizar máquinas elétricas com pedais, já extintas, para confeccionar tabelas de relatórios “top-secret” para a diretoria. Minha curiosidade era imensa e, como era muito rápido, lia tudo e anotava os detalhes escabrosos num bloquinho. Tudo isso eu já destruí, mas de memória, na época, o maior número de internamentos eram os do serviço de contabilidade. Fora a incidência de alcoolismo que era muito grande. Segredo maior do que o da Igreja Católica em relação aos padres...

Há trinta e dois anos, com Shigeaki Ueki na presidência, vivíamos as consequências do choque do petróleo, que fizeram o japonezinho desligar a sua piscina de água quente para poupar energia. Como fazia parte da “peãozada”, fingia-me de morto e não tocava em política, assunto proibido. A Petrobrás já era, então, orgulho nacional e não havia pai de família que não estufasse o peito de orgulho, quando afirmava que o filho trabalhava na empresa.

Quando pedi demissão descontentei meus pais. Resolvera seguir o destino pedregoso e íngreme da não burocracia. Para mim, era insuportável ver aqueles técnicos de administração, de gravatinha, batendo em meu ombro e dizendo a frase-modelo: “meu filho, quando eu me aposentar...”

A empresa articulava uma tecnologia mental no empregado, como se não funcionasse sozinha, dada a sua grandiosidade. Muitos trabalhavam com febre, com medo de ir ao serviço médico e serem mal vistos pelos chefetes de seção.

Naquela época, a empresa gastava 11% de seu orçamento com despesas de pessoal e, atualmente, reduziu esse “gasto” entregando algumas atividades-meio a terceirizados, aliás muito mal vistos pelos concursados, que detêm crachá autêntico. Não sei como está hoje, mas o cartão de ponto é exigido até para profissionais de curso superior, os horários são rígidos e a mega-empresa continua um quartel. De fazer inveja aos atuais militares que nem rancho têm para oferecer aos recrutas.

Os privilégios dos petroleiros existem, mas as benesses e salários-extras continuam em poder de uma elite muito bem estabelecida, estruturada e corporativa. São ciosos de seus privilégios e têm cabeça de funcionários públicos, ou seja, sabem que se mantiverem a cabecinha conservadora, não contestatória, se lamberem muito bem as botas dos chefes, permanecerão até a aposentadoria, quando como verdadeiros trapos humanos vão requerê-las, com complemento financeiro da fundação PETROS.

Essa empresa hoje é imensa, tentacular, um estado dentro do estado, e a União, apesar de todos os esforços do governo tucano para privatizá-la, no que foi impedido pelo Alto Comando do Exército, ainda detém 51% do capital das ações com direito a voto. Com a troca de governo, tornou-se a joia da coroa do PT e é administrada diretamente pelo Palácio do Planalto e pela Casa Civil, passando por cima, na prática, da natural hierarquia do Ministério das Minas e Energia.

Quem manda na Petrobrás é Lula e Lula desmanda na Petrobrás. Era para ser o paraíso petista, mas nunca o foi. Os petistas invadiram a empresa, de alto a baixo, como a KGB fazia na União Soviética com o controle dos bairros em Moscou. Nenhum cargo de confiança ficou incólume. O comissariado manda e desmanda mesmo. Todo mundo baixa a cabeça, naquela técnica de sabujice de quem quer sobreviver, esperando novos tempos. Precisaríamos de um Machado de Assis ou de um Lima Barreto para descrever o que acontece na mente dos chefes de seção e dos engenheiros de staff. Principalmente aqueles que assistem à farra das concessões orçamentárias a diversas ONGs desconhecidas...

Os controles e auditorias internos são draconianos, principalmente no varejo. Os gastos no atacado, em dólares e euros, sob responsabilidade das diretorias e do Conselho de Administração fogem à imaginação dos mortais da planície ou a qualquer vasculhador que não seja do meio. Para quem não conhece economia de petróleo, as tacadas são indetetáveis!

Como uma empresa de petróleo, mesmo mal administrada, é um supernegócio, bastaria uma vista d’olhos nas firmas fornecedoras da Petrobrás, muitas delas criadas por ex-funcionários, e os escritórios de advocacia, para os contenciosos surgidos com os que negociam diretamente com ela, para assuntar diversas surpresas. Isso seria matéria para os serviços de inteligência da Polícia Federal, da ABIN, do CADE e de outras agências, além da curiosidade atenta do que os petistas chamam de mídia golpista. Isso sem falar no Ministério Público, que tem tantos procuradores jovens e loucos para defender os altos interesses da sociedade. Aqui vai a todos eles um terno pedido do poeta: por favor, deem um passo à frente...

Agora vemos essa CPI montada no Senado, com cara e enredo de chantagem. Com a grana e os interesses em torno da empresa, é muito fácil que a Comissão não dê em nada, embora se o esterco for remexido, não venha a sobrar pedra sobre pedra. A Petrobrás é um dos sustentáculos da Pátria, assim como Jerusalém era a capital dos judeus e do cristianismo. Mesmo assim, a cidade um dia foi destruída e mudou a história do mundo.

Não admira que o drama da Petrobrás, orgulho nacional seja tão grande. Tão grande quanto uma plataforma! Aliás, tudo é gigantesco naquela empresa que tantos serviços têm prestado a ela mesma e a sua burocracia. Inclusive batendo às portas da corrupção. O povo brasileiro, seu pretenso proprietário, espera por explicações...

É claro que em 180 dias os senadores não irão apurar coisa alguma. Eles só querem desviar o foco dos escândalos sobre o Congresso e culpam o governo Lula por não os haver defendido, tal como o fez nos tempos dos hierarcas do mensalão.

Mesquinharia se paga com mesquinharia. Assim, nada como mexer com a joia da coroa e fazer a opinião pública esquecer logo das mordomias do Senado e outras futilidades, não defendidas a contento pelo governo atual. E com seis meses decorridos vem o Natal, o Ano Novo, o Carnaval e mais um ano de eleições. E Suas Excelências estarão salvas para disputar novo pleito, quem sabe com financiamento dos próprios lobistas e empresários que sobrevivem dos nababescos negócios ligados ao petróleo brasileiro.

Vamos assistir de camarote a mais uma pantomima teatral. Não é comédia. É o drama da Petrobrás, a grande empresa, orgulho nacional, de qual um dia, num acesso de capa e espada, me demiti...

_____

*Waldo Luís Viana é escritor, poeta, economista e ex-empregado concursado da PETROBRAS. Aliás, de primeiro emprego a gente nunca esquece...
Teresópolis, 16 de maio de 2009.

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31 Março 2009

Quem quer ser um milionário ?




QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?

Ninguém apostaria que Jamal Malik chegasse a algum lugar; pelo menos,algum lugar fora daquela favela miserável em que nasceu e cresceu aos trancos e barrancos como crescem as ervas daninhas. Quem sabe, teria o destino dos seus iguais; com sorte, seria capanga de algum brutamontes explorador de crianças ou terminaria os dias cego, pedindo esmolas com um cantochão monótono e triste. Se fosse mulher, certamente seria prostituta, talvez desde os sete ou oito anos,s ubmetida a um odioso cafetão. Assim é na Bombaim que Jamil nasceu,hoje chamada Mumbai, mas parece que foi a única mudança que houve,mudou o nome, só: a miséria é a mesma, a fome não mudou nada, a violência crescente, doída, desumana, também não.
Mas, Jamal era diferente; tinha a marca dos vencedores que eu chamo a marca de Caìm; tinha auto-confiança,persistência e determinação,mas,sobretudo,coragem;suportou a fome, a insegurança, a tortura, a miséria extrema (perto das favelas da India, as do Rio são Vieira Souto), a morte da mãe, a separação da garota que amava. E, sobretudo, aprendeu com o sofrimento. E chegou lá.
Este é o tema do magistral filme ”Quem quer ser um milionário?” (Slumdog Millionaire), ganhador de 8 Oscars, desde a semana passada, no circuito. Todos deveriam vê-lo; esta ordem deveria estar na Constituição, nos decretos, na lei-gente! é imperdível!
A direção impecável de Danny Boyle, a interpretação dos atores, a música, as canções,os cenários, tudo, faz deste, um dos maiores filmes de todos os tempos. Dev Patel, que faz Malik, um jovem estreante, dá um banho de representação.
Irrfan Khan, um excelente ator, faz o chefe de policia de uma forma impecável .Ele é pago pelo dono do programa de perguntas e respostas ,uma espécie de Silvio Santos de lá, para extrair do rapaz o motivo de estar acertando todas as perguntas; um slumdog, (cachorro de favela ,Chica ,era como se tratavam as crianças na Índia) um favelado miserável e ignorante, como poderia ter tal conhecimento? Assistam o filme para saber.Como digo sempre,inteligência não é cultura e o doce Jamal provou que eu estou certa. Sem estudos e talvez escrevendo com erros gramaticais e ortográficos dá um banho nos intelectualoides que abundam em todos os lugares.
Quando o filme acabar,se vocês não estiverem cegos pelas lágrimas,que,naturalmente derramaram,não saiam da sala.Ainda teremos muita novidade,algo lindo,que lembra o “West Side Story”

RoteiroRoteiro_de_Filme_ou_Novela-->QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO? -- 01/03/2009 - 10:53 (Mirian de Sales Oliveira da Rocha) Extraído site Usina de Letras www.usinadeletras.com.br

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'Matrix' faz 10 anos como ícone do cinema de ficção científica


Ter, 31 Mar, 10h10

Antonio Martín Guirado.

Los Angeles (EUA), 31 mar (EFE).- Além de ganhar quatro Oscar, arrecadar mais de US$ 460 milhões nas bilheterias e ter aberto as portas ao cinema do futuro, "Matrix" representou a simbiose entre espetáculo audiovisual e filosofia, e se tornou todo um fenômeno da ficção científica cuja estreia completa dez anos nesta terça.

Desde a imagem cibernética do começo, cujas letras e números verdes e desordenados se tornaram, depois, um clássico de protetor de tela para milhares de computadores, até seu emocionante e romântico final, "Matrix" é puro cinema do século XXI, apesar de ter estreado em 1999.

No filme, Thomas Anderson (Keanu Reeves), conhecido com Neo, descobre, graças a Morpheus (Laurence Fishburne), um dos mais procurados pelas autoridades na época em que se passa a produção, que o mundo no qual vive é uma ilusão gerada por computador, colocada diante de seus olhos "para esconder a verdade".

Essa "verdade", no filme, é que os seres humanos são escravos das máquinas, que, em determinado momento da história, se rebelaram. Como explica o longa-metragem: "Existem campos intermináveis onde os humanos não nascem. São cultivados".

Enquanto isso, a população vive em uma realidade virtual, a mesma que distrai as mentes humanas -em uma releitura do mito da caverna de Platão -, enquanto os corpos são usados como fonte de energia para manter as máquinas funcionando.

Aí começa a missão, repleta de simbolismo cristão, de Neo - anagrama de "One" ("Um"), o escolhido -, que deve liderar a luta pela liberdade da humanidade, a partir da cidade de Zion, com a ajuda de Trinity (Carrie-Anne Moss).

"Imagino que, agora mesmo, você esteja se sentindo um pouco como Alice. Entrando na toca do coelho?", ironiza em determinado ponto do filme Morpheus, em seu primeiro encontro com Neo.

Esta é uma das ocasiões na produção em que aparece este coquetel de referência a clássicos.

Os irmãos Larry e Andy Wachowski, diretores e roteiristas do filme, rechearam o filme, que possui fãs e críticos ferrenhos, com homenagens às suas produções favoritas no cinema.

Isso é visto nos dilemas sobre inteligência artificial, como em "O Exterminador do Futuro", o aspecto visual, que lembra "Blade Runner - O caçador de androides", o parasita que é introduzido no corpo humano, que remete a "Alien - O Oitavo Passageiro", ou a perseguição pelos telhados, como em "Um Corpo que Cai".

"Matrix", que conta com uma trilha sonora à altura e repleto de imaginação, combina as premissas da ficção científica tradicional com uma tecnologia em efeitos especiais nunca vista até então.

Um dos destaques do filme é a técnica "bullet time photography", uma grande desaceleração feita com a ajuda de computadores e que registra até 12 mil quadros por segundo, usada em cenas como a que Neo consegue desviar dos tiros de um dos agentes que o perseguem.

A meio caminho entre um relato futurista de Philip K. Dick e o cinema de artes marciais de Hong Kong, o resultado final da obra dos Wachowski iniciou o debate sobre a convergência cultural, entendida como uma participação muito mais global em suas manifestações.

Em torno da franquia (depois de "Matrix" vieram "Matrix Reloaded" e "Matrix Revolutions", ambos de 2003), foi criado todo um império baseado em histórias em quadrinhos, sites, desenhos animados e videogames, que eram partes fundamentais para compreender todo o universo da saga.

Essas peças do quebra-cabeças, que remetiam umas às outras, criando uma narrativa comum, levavam a história até terrenos não explorados na trilogia, o que fez com que a acolhida aos dois últimos filmes não fosse tão calorosa, já que eles traziam alguns detalhes desconhecidos do grande público.

Quem explica isso é Henry Jenkins, fundador do programa de Estudos Culturais dos Meios do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), no livro "Cultura da Convergência".

"Muitos críticos arrasaram as sequências porque não eram suficientemente lógicas em si mesmas e beiravam a incoerência", acrescentou.

"Você acredita em destino?", "Você acredita que tem o controle de sua vida?", "O que é real?" são algumas das reflexões lançadas pelo primeiro filme ao longo de seus 136 minutos, antes de Neo, já convertido em messias, fale com o espectador e comece a voar, fechando a primeira parte da trilogia.

"(Vou mostrar às pessoas) Um mundo sem regras ou controles, sem fronteiras ou cercas. Um mundo onde tudo é possível. Para onde vamos é uma escolha que deixo para você", afirma o protagonista da saga. EFE

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30 Março 2009

Watchman - O filme

Watchmen - O Filme
Watchmen - O Filme
Angélica Bito




Quando Watchmen foi publicado nos EUA, entre 1986 e 1987, a tiragem era limitada. Nem a DC Comics apostou que esta história em quadrinhos de adultos que se fantasiam para combater o crime poderia conquistar os leitores. O fato é que a complexidade da obra de Alan Moore e Dave Gibbons, vista claramente na trama e nos personagens que conduzem os 12 capítulos da série, conquistou os leitores. Novas tiragens foram lançadas e elas seguem conquistando novos admiradores ao longo dos anos.

Um deles é Zack Snyder, que, depois de dar vida a outra graphic novel (300, seu longa anterior, é baseado em Os 300 de Esparta, de Frank Miller), encara novamente o desafio de dar movimento a uma HQ. Em Watchmen – O Filme - projeto que Hollywood ronda desde os anos 90 -, o diretor abraça a possibilidade de tornar cinematograficamente possível toda a complexidade da graphic novel, apresentando um filme de super-heróis para adultos.

A ação se passa em outubro de 1985, nos EUA, numa época marcada pela Guerra Fria e o iminente conflito nuclear entre o país e a União Soviética. O violento assassinato de Edward Blake (Jeffrey Dean Morgan) faz com que histórias esquecidas no passado venham à tona. Conhecido como Comediante, Blake fez parte de dois grupos de combatentes do crime que atuavam fantasiados pelas ruas dos EUA. Os Minutemen foram formados em 1940; a segunda geração, os Watchmen, atuaram até 1977, quando foi criada a lei Keene, que tornava ilegal a atividade de justiceiros mascarados. O assassinato do Comediante faz com que os personagens voltem a se reunir a fim de descobrir que tipo de conspiração é essa que levou ao crime.

Os grupos não são formados por super-heróis, mas sim pessoas que, talvez com desvios de personalidade, resolvem vestir fantasias para combater o crime; o único possuidor de poderes é o dr. Manhattan (Billy Crudup), um sujeito azul, luminoso que não usa roupas. Antes de ser transformado, ele atendia pelo nome de Jon Osterman. Trancado acidentalmente em uma câmara de testes durante um experimento de física nuclear, o físico é desintegrado, mas, ao invés de morrer, reaparece alguns dias depois como o dr. Manhattan, ostentando uma força super-humana, o poder da telecinese, de ser teletransportado para distâncias até mesmo intergaláticas, a manipulação da matéria em nível subatômico e a capacidade de ver o seu futuro.

Quem conduz a investigação acerca do assassinato do Comediante é Rorschach (Jackie Earle Haley), um cara duro que vive no submundo de Nova York e não deixou de usar sua máscara feita de um tecido cujas manchas são capazes de se mover independentemente – um tecido de látex feito com alta tecnologia, conforme a HQ explica. Como um detetive dos filmes noir, tanto no figurino quanto na narração em off que conduz à medida que escreve seu diário, Rorschach é um cara duro e violento, resultado de uma série de acontecimentos nada agradáveis em sua história. Logo ele ganha a ajuda do Coruja (Patrick Wilson) e de Laurie (Malin Akerman) – filha de uma musa dos Minutemen, a envelhecida e nostálgica Sally Jupiter (Carla Gugino) – para prosseguir com as investigações, enquanto o temor de uma guerra nuclear cresce a cada dia.

Watchmen – O Filme traz personagens complexos, protagonistas de tramas que se cruzam a todo momento, ao mesmo tempo em que o passado é explicado por meio de flash-backs. Esta narrativa toda picotada é característica que vem essencialmente da série em HQ original. Ao mesmo tempo em que mantém viva essa forte ligação entre a obra de Moore e Gibbons e o filme de Snyder, faz com que o longa apresente-se complexo demais para as grandes platéias, aquelas que procuram leveza numa sala de cinema. O que também acabou ocorrendo com a série original, aliás, lançada no mercado editorial revolucionando o conceito de quadrinhos sobre heróis. Embora revolucionária, nunca conquistou um público como as histórias de Homem-Aranha, Batman, Super-Homem e afins. Os heróis de Watchmen sempre foram repletos de defeitos, problemas de personalidade, traumas, tropeços, tornando-se melhor definidos como anti-heróis. Mas que conheciam a podridão da sociedade como poucos e, por isso, talvez tivessem uma idéia de como salvá-la. Afinal, é em busca da salvação mundial que os heróis sempre estão, mesmo sendo dos mais degenerados como os de Watchmen.

O que impressiona em Watchmen – O Filme é o cuidado que o longa tem com elementos estéticos da HQ, bem como algumas referências que continuam na obra cinematográfica, o tom de ironia dos personagens e da própria trama em si. Não à toa, Snyder confessou ter desenvolvido a direção do longa tendo a própria graphic novel fazendo as vezes de storyboard, o que fica bem claro quando o filme apresenta ângulos e movimentos de câmera que reproduzem a fluidez da obra original. Já a fotografia e a direção de arte ganham elementos sombrios nesta adaptação, diferentemente das muitas cores presentes na obra original. O tom aqui é noir, também pelo medo e a paranóia de uma guerra nuclear – presente não somente nos anos 80, mas no anos seguintes também -, que pairam a todo momento.

A caracterização dos personagens em Watchmen – O Filme foi feita de forma bastante cuidadosa, essencial para que os muitos fãs da obra original possam se sentir satisfeitos. Até a máscara de Rorschach, que está em constante mutação, ganha vida única na tela. Não somente esteticamente, mas psicologicamente, a densidade dos personagens é preservada no filme de uma forma como somente um fã poderia fazer. Snyder também deixa sua assinatura ao incluir alguns litros de sangue na trama.

Os diálogos e narrações também foram mantidos de forma fiel, o que acaba atrapalhando na fluidez narrativa. Afinal, estamos falando de cinema. Se na HQ cabiam tantas explicações textuais, no cinema o desafio é encontrar forma de transformá-las em imagem. Claro, estava aí um elemento complicado para esta adaptação: levar o próprio texto da obra original para o cinema e, embora a tarefa tenha sido concluída, ainda faltam arestas a serem aparadas. São essas arestas as que podem manter um público mais amplo longe dos cinemas. O excesso de diálogos e narração, bem como a extensa duração da produção – duas horas e 40 minutos –, são cansativos.

Fãs mais puristas podem torcer o nariz para a mudança no final, mas ela não é tão radical a ponto de fazer com que toda a história perca a razão de ser. Veículos diferentes pedem leituras diferentes, isso não é segredo para ninguém. A questão é: será que o filme conseguirá despertar o interesse e mantê-lo junto aos que não conhecem a obra original? O desafio que enfrenta neste segundo momento Watchmen – O Filme, depois de pronta a adaptação, é despertar o interesse do público adulto em personagens sem super-poderes que se fantasiam para combater bandidos. Desta forma, o longa não deixa de ser corajoso, algo que somente um fã como Snyder poderia ter realizado.

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27 Março 2009

DESABAFO


clique aqui e assista ao vídeo




[introdução]
Deixa,deixa,deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar
[d2]
Segura!!!
[introdução]
Deixa, deixa, deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar
Eu já falei que tenho algo a dizer,e disse
Que falador passa mal, e você me disse
Que cada um vai colher o que plantou
Porque raiz sem alma, como o Flip falou, é triste
A minha busca na batida perfeita
Sei que nem tudo ta certo, mas com calma se ajeita
Por um, mundo melhor eu mantenho minha fé
Menos desigualdade, menos tiro no pé
Andam dizendo que o bem vence o mal
Por aqui vou torcendo pra chegar no final
É, quanto mais fé, mais religião
Amor que mata, reza, reza ou mata em vão
Me contam coisas como se fossem corpos,
Ou realmente são corpos, todas aquelas coisas
Deixa pra lá eu devo ta viajando
Enquanto eu falo besteira nego vai se matando
Então
[refrão]
Deixa, deixa, deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar
Deixa, deixa, deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar
Ok, então vamo lá, diz
Tu quer a paz, eu quero também,
Mas o estado não tem direito de matar ninguem
Aqui não tem pena morte mas segue o pensamento
O desejo de matar de um Capitão Nascimento
Que sem treinamento se mostra incompetente
O cidadão por outro lado se diz, impotente, mas
A impotencia não é uma escolha também
De assumir a própria responsabilidade
Hein??
Que você tem em mente, se é que tem algo em mente
Porque a bala vai acabar ricocheteando na gente
Grandes planos, paparazzo demais
O que vale é o que você tem, e não o que você faz
Celebridade é artista, artista que não faz arte
Lava mão como pilates achando que já fez sua parte
Deixa pra lá, eu continuo viajando
Enquanto eu falo besteira nego vai, vai
Então deixa...
[refrão]
Deixa, deixa, deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar
Deixa, deixa, deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar

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